Thursday, July 19, 2007
Sea Wave
Que hora era de agendar fim à insolente desobediência desse sonho a que chamam realidade. Dois olhos, um vítreo, o outro de serpente, e um rio de lava percorrendo-lhe a ruga das longas casquinadas que ontem, não hoje, deu e nunca antes teria deixado de chistosamente dar e querer dar. Senti o espasmo, disse. Hoje, por fim, depois de ontem. Esquadrinhou-me as entranhas, furtou-me da mansarda do corpo e, sem pudores ou observâncias pelos equilíbrios de tempestades e bonanças outras, subtraiu-me ao exílio da insula dos desejos e rasgou istmo em mar de afectos. Assim volúvel, firme fincou em terra vã. E tanto era ou tanto é, e tanto mais para acreditar (e sonhar), que do de serpente fez, ontem, como hoje, o cego.
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