É matéria de artéria
De facto
Pútrida de afectos fátuos
Emana do medos
E espontaneamente
Inflama, combusta, conflagra
Alvoroça, revolta, subleva
Fosforesce e zaz
Amotina a paz
É que acaso a paixão ocasional
Não basta para do peito desterrar
E, cerimonialmente, enterrar
Esse monstro da mofina nominal
Seja então que, assim, sem hesitar
Chegue, cegue e desassossegue
Desperte, sobressalte e mate o susto
Engasgue, esgane e engane o soluço
Que vai mortificando este ocaso passional
É violento
E se viola o tento
As retinas turva
Força-as em curva
Silencia a palavra
A pequena e a farta
Talha a língua
A boa e a míngua
E assim
Sem sim
Nas cordas se enforcam
A cada pequena vez
Todos os brados que tocam
A minha pequenez
andalsness
Monday, June 16, 2008
Wednesday, June 11, 2008
missiva invernal
canta o estio
para que recordes
que no setentrião céu
tudo se inscreve
que ridícula é a ferida
que serena és
a doçura que foste
que sentes à flor e que ficas à pele
do vasto sentido que não tem a vida
ouve
não ouças só
o que a solidão permite
desespera, sim
de noite, de dia
muda tudo e apenas o que não varia
busca o delíquio que sucede essa breve orgia
e ouve
abre caminho na senda da noite
e calca tudo
rasga o cardo, rompe a uva
rouba o vinho, pisa o sangue
e ainda
o bilhete que tragas na palma da luva
não esqueças, ouve
galga a luz e no cume do breu
abre o trinco e ama
o visitante que pernoita
na porta da tua aurora
depois
deixa-o ir e revive
vagarosa
o sorver do veneno da tua memória
andalsness
Thursday, March 6, 2008
Sentou-se, tremeu e sorriu. E nada disse, que os cactos são vegetais com atitude. Ouvia-a, estava ausente. Sempre gostou do inóspito da noite. O frio. O mar. Imaginou-se lá, aos primeiros raios da aurora invernal, a retorcer carnes no assalto das espumas, a ralar dermes nas areias salgadas. São vêemências suas, como as outras. Olho-a e tocou-lhe a mão. Ela sorriu. Levantou-se, pegou nela e foi. Que hora é de agendar fim à insolente desobediência desse sonho a que chamam realidade.
andalsness
andalsness
Wednesday, February 27, 2008
Escultora
sara-me, escultora de palavras e poções
do que é o dom de saber da dor o encanto
atalha-lhe o meandro, desagua-me já
cerceia, tritura, mas não me abrases
que nesta terra do fogo a água é de pedra
que alma terei eu de ti, em mim?
que ferida esta, os teus lábios de sal?
que céu, esta manta de tão justo sono?
mas que ventre este o que mordo?
espero eu que te importe
o suor
o ardor
e o sangue
e que assim o diga ao mundo
pois que mais não sei de mim
e, em ti, apenas rumar fundo
andalsness
do que é o dom de saber da dor o encanto
atalha-lhe o meandro, desagua-me já
cerceia, tritura, mas não me abrases
que nesta terra do fogo a água é de pedra
que alma terei eu de ti, em mim?
que ferida esta, os teus lábios de sal?
que céu, esta manta de tão justo sono?
mas que ventre este o que mordo?
espero eu que te importe
o suor
o ardor
e o sangue
e que assim o diga ao mundo
pois que mais não sei de mim
e, em ti, apenas rumar fundo
andalsness
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