Saturday, October 10, 2009

The Can

Legado desse acidente é esta lata. E pouco restou que não esta lata, fina, longa, elegante até, de um vermelho tomate pouco vivo, como despojos outros, aliás. O Víctor, por exemplo, sobrou. É um sapo, aspirante a homem-rã. Ao dobrar a curva, ali o avistei, ao lado das remanescências do seu coche rojo, vociferando no seu castelhano perfeito, disputando culpas com o condutor do tractor. A cada vão impulso da ira apartavam-se um pouco mais, patinando no tapete de polpa de tomate Almeriense. Magnólia ao contrário. O Víctor é instrutor de buceo, técnico de soldadura de profundidade e um sapo. Um sapo, de lata vermelha na mão, aturdido, na curva da estrada, com pouco plástico para polir, esperando o comboio que jamás llegará. Regalou-ma quando o levei al pueblo. Sentados ao luar numa manta azul cuidadosamente esticada e em exemplar alinhamento com os cantos do iglu industrial bebiam o vinho. Ele depilava a ponta dos dedos na cera da vela. Ela, em estocadas secas, tatuava melgas no corpo com o rolo de papel de cozinha. Meia hora mais desta paz e, num ainda outro franzir das sobrancelhas, fita-me uma vez mais e ensaia uma risada, “elas a mim não me tocam”, dirijo-me ao carro, recupero a lata, fina, longa, de um vermelho pouco vivo, “se quiser pode usar, não é insecticida, mas sempre é mais duro".

andalsness

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